About ontheroadsince72

Diário de Bordo ontheroadsince72

Como todo escritor que se preze, minha cabeça é “bombardeada” por um milhão de idéias a cada milésimo de segundo. Chato isso de ter uma cabeça que não para de trabalhar 24 horas por dia e 7 dias por semana, não concorda? Mas, ao contrário do que você está pensando, o blog não nasceu necessariamente desta hiperatividade mental. Afinal, quem quer escrever, escreve até em guardanapo de papel, caso não tenha mais nada à mão na hora da “necessidade”. O caso é que não encontrei local melhor para escrever sobre minhas experiências (e experiências alheias) e, ao mesmo tempo, ser lida straightway. Portanto, este aqui será meu “quarto de despejo de pensamentos que entrarão em desuso tão logo sejam descartados pela leitura alheia”.

Aproveito também a oportunidade de explicar minha demora em postar no meu quintal webbloguiano: é que estava até agora lutando pra entender como é que essa coisa aqui funcionava. Ops! Esqueci de falar que este é meu primeiro blog “virtual”. Não, não é redundância. É claro que todos os blogs SÃO virtuais. Deixem-me explicar melhor:

Morei em Londres quase 4 anos e durante todo este tempo passei “postando” meus textos webbloguianos em cadernos, blocos de anotações, guardanapo, verso de junk mail e na minha cabeça, nunca chegando a montar um proper webblog, acredita? Well, quem me conhece sabe que sou da opinião de que tudo é possível para aquele que crê. E, nessa, `tava sempre “crente” que no máximo, semana que vem, boto meu blog no ar, e mais um dia se passava e o outro dia chegava e mais outro e enfim quatro anos se passaram e eu continuava colecionando cadernos e blocos, mas nada de blog se “materializar” (mesmo que virtualmente falando). Resultado é que muito material perdeu o prazo de validade e se eu colocar aqui vai ficar uma coisa muito nadaaver. Então, pensei cá com os meus botões, e já que reciclagem tá na moda, vou entrar na onda ecológica, depurar a coisa e transformar lixo em luxo… Bom, dependendo do ponto de vista, também pode acontecer o contrário e aí dou início a uma festival trash webbloguiano. But, nevermind porque, como diria a tia Rita Lee não quero luxuu nem lixuu eu quero é ser imortal meu amooor hehe.

Então decidi que a coisa ficaria assim: alguns textos  que não foram “corrompidos” pela passagem inexorável do tempo serão postados na íntegra e sem direito à notas de rodapé porque não tenho paciência pra isso (entenda quem puder ou quiser), e os outros (a maioria) falarão de minha vida atual mas  com direito a muitos flashbacks londrinianos e ustinianos. Bom, este “ustiniano” no final é derivado do nome de uma cidade chamada Usti nad Labem, localizada nos confins do planeta Terra, na esquina onde o vento faz a curva e onde Judas perdeu as botas, na República Tcheca. Mas, como diria Jack, o stripper de víceras alheias, vamos por partes. É uma longa história. Aliás, é tão longa que vai virar livro. Sim, LI-VRO e salve-se quem puder. Viví apenas 5 meses naquele “povoado” ex-comunista de “400 mil habitantes”, mas foi exatamente o tipo de experiência que precisava para entender minha aterrissagem no mundo em 1972. Era a promessa do paraíso que logo se revelou o inferno na terra. Mas foi o inferno que viví que me fez perceber que o paraíso esteve à minha volta o tempo todo. Minha vida se partiu em um milhão de pedaços. Acha que juntei os cacos? Não. Passei a minha vida interia juntando os cacos, pois sempre fui mesquinha comigo mesma. Sempre economizei onde não devia. Sobretudo, economizei em amor-próprio e confiança na minha capacidade de fazer da vida algo totalmente novo. Percebi que aqueles cacos não eram a minha vida. Era só uma estrutura que eu tinha construído de má vontade, utilizando os materiais mais vagabundos que existiam no mercado das emoções e o resultado foi o desmoronamento (mais uma vez). Comecei a ter um insight atrás do outro. Foi de enlouquecer. Overdose de lucidez, sabe? Pela primeira vez na vida, desci aos infernos de olhos bem abertos. Tudo o que tinha pra perder eu já tinha perdido. Só me restava a alma. E por essa decidi que lutaria até o fim. Encarei meus demônios e sustentei o olhar. Tive medo. Muito medo. Mas chega um momento que se cansa de ter medo também. E foi a raiva de sentir medo que me fêz encarar aqueles demônios. Foi aí que percebí que não eram tão feios quanto eu imaginava.  E eles foram minguando, desistindo, morrendo. A maioria morreu. Os que não morreram, se converteram em anjos. E foram estes anjos que me mostraram o caminho de volta. Saí de um “suposto” inferno para entrar num “suposto “paraíso”. Depois da viagem “dantesca” pude finalmente deixar para trás o “verdadeiro” inferno para entrar no paraíso real. Sabe quando tudo na sua vida começa a fazer sentido e você olha pra trás e consegue entender onde cada erro ou acerto te levou? Now, I can say to myself welcome back home, girl. Intuição seja bem vinda e nunca mais me deixe te ignorar. Amor-próprio? Come on, baby, here I am.

Bom, é claro que não fiz uma M*** total, visto que minha entrada na Europa tá garantida por conta de um passaporte portuga herdado de meu avô óbviamente portuga. Sou louca mas não sou doida! Só que agora preciso dar um tempo em terras brasilis e depois decido o que faço da vida. O que importa é que a minha filhota tá pra lá de feliz por estar de volta à nossa ilha (ilha de Santa Catarina) pra quem não sabe ou não me conhece). Well, I have said!

Por que ontheroadsince72

O nome do blog On the road since 72 surgiu da leitura que fiz do livro de Jack Kerouac On the road (em português foi lançado sob o título “Pé na estrada”), quando ainda morava em Londres. Muitas pontes aéreas depois, esse livro nunca me saiu da cabeça. Para quem não sabe, o On the road, publicado em 1957, foi o estopim para a revolução cultural que assolou os Estados Unidos na época e, em seguida, todo o mundo ocidental. Tornou-se o manifesto da geração beat que rompia com o compromisso do american way of life e pregava a busca de experiências autênticas, um compromisso selvagem e espontâneo com a vida até seus mais perigosos limites. Guardadas as devidas proporções, e maluquices beatniks à parte, os mais de 4 anos que viví na Europa me fizeram perceber a grande aventura que foi, está sendo e sempre será a minha vida, mas que só me dei conta assim que tomei a devida distância. Pela primeira vez, fiz a “leitura” da minha história como se lê um livro ou se assiste a um filme. Sim, porque se você prestar atenção aos livros que lê, ou aos filmes que vê, e tirando todos os enfeites literários ou os efeitos especiais, notará que as estórias são perfeitamente comuns. O que transforma o lugar-comum dos pequenos acontecimentos diários em algo especial é a forma COMO se contam estas estórias. Essa é a verdadeira magia dos livros e dos audio-visuais. Uma viagem para visitar os tios, um encontro programado ou não, uma conversa com seu amigo, uma saída para comprar pão na esquina ou a ida ao trabalho, podem se transformar num best-seller ou num sucesso de bilheteria nas mãos hábeis de alguém que esteja preparado para ver aquilo que ninguém mais percebe, e que domine as técnicas necessárias. Lembro que li uma citação que diz que o diabo está nos detalhes. Acho que este dito resume tudo. Para alguém que esteja disposto a escrever, mesmo que para um blog, onde a linguagem é mais displicente e os textos são mais crus, pois não se tem tempo de ficar revisando um milhão de vezes o que foi produzido, ainda assim tomar um certo cuidado em termos de gramática e estilo é bastante importante. Afinal, todos queremos ser (bem) entendidos, certo? Então, quando resolvi colocar o ontheroadsince72 no ar, e mesmo sem tempo para fazer todas as revisões que gostaria, decidi que queria passar o seguinte recado: olhe para a vida com olhos de crianças – são sempre curiosas em relação às coisas mais prosaicas e fazem de um lápis uma ponte para outros mundos – e, sinceramente, espero que consiga. O On the road, do Jack Kerouac, apesar de não ser o meu livro de cabeceira, somado às minhas peregrinações “européicas”, apenas me provocaram um “estalo”.  Sabe aqueles “estalos” que te dão de vez enquando e te fazem perceber tudo o que já estava debaixo do seu nariz há muito tempo, mas só naquele momento você reparou? Pois é… foi deste “estalo” que percebi  todo o material “biográfico” que estava desperdiçando. Foi aí, e só aí, que me dei conta que já estava na estrada desde 1972

25/07/2009

3 thoughts on “About ontheroadsince72

  1. Pingback: LONDRES: EMIGRANDO PARA O REINO « Ontheroadsince72's Blog

  2. Hehe…compartilhamos das faíscas de pensamentos. Melhor escrever ou elas explodem nosso cérebro.

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